Explicaê

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Desenvolvimento:

1. Professor, conheça:

Cildo Meireles – Inserções em Circuitos Ideológicos

Cildo Meireles é um artista brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro em 1948.

No Brasil, Cildo Meireles refez a tradição do readymade de Duchamp com a sua série das Inserções em circuitos ideológicos, em 1970.

A operação consistia em retirar objetos de um sistema de circulação, interferir sobre eles e então inseri-los, novamente, no sistema. O projeto “Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola” consistia em gravar nas garrafas retornáveis de coca-cola informações, opiniões críticas, a fim de devolvê-las à circulação.

Cildo apoderou-se das garrafas vazias de Coca-cola, as quais seriam, talvez, o símbolo do capitalismo americano de consumo. Nessas garrafas estampou então mensagens políticas, utilizando-se da mesma tinta branca com a qual se escrevem as informações normais do rótulo. Nesta etapa, as mensagens permaneciam mais ou menos despercebidas. Cildo reintroduziu as garrafas para o seu circuito, elas voltaram para a fábrica, onde foram lavadas e preenchidas novamente. Agora, graças ao fundo preto proporcionado pelo líquido, a mensagem será lida pelo próximo consumidor que, por sua vez, ao beber seu conteúdo, devolverá a garrafa ao distribuidor, que a encaminhará ao fabricante e assim sucessivamente.

Cildo escreveu nos rótulos das bebidas a frase “Yankees, go home!”. Em seguida, devolveu as garrafas de vidro para circulação. A palavra Yankees está relacionada com os Estados Unidos. Era originalmente remetida aos habitantes da Nova Inglaterra, localizada ao nordeste do país.

Essa obra foi produzida em 1970, período em que o Brasil vivia uma ditadura militar, se não apoiada, pelo menos vista com tolerância pelo governo americano. Naquele momento, produzir arte numa garrafa de Coca-Cola era algo pertinente e cheio de significado.

Cildo Meireles usa o dinheiro, carimba as cédulas anonimamente com mensagens políticas e as devolve à circulação. É quase uma estratégia de guerrilha que Cildo nomeia de Inserções em circuitos ideológicos: Projeto cédula. Essa obra foi feita no período da ditadura militar.

Durante a ditadura militar, a censura aos canais de informação e à produção cultural foi intensa, tudo era acompanhado muito de perto pelos censores do governo. O objetivo principal era passar à população a ideia de que o país se encontrava na mais perfeita ordem, os jornais foram calados, obrigados a publicarem desde poesias até receitas no lugar das verdadeiras atrocidades pelas quais o país passava.

Vladimir Herzog era jornalista, diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, aos 38 anos foi encontrado morto, supostamente enforcado, nas dependências do 2ª Exército, em São Paulo, em 25 de outubro de 1975. No dia seguinte à morte, o comando do Departamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), órgão de repressão do exército brasileiro, divulgou nota oficial informando que Herzog havia cometido suicídio na cela em que estava preso.

A versão oficial da morte foi rejeitada pelos movimentos sociais de resistência à ditadura militar. Três anos depois, no dia 27 de outubro de 1978, o processo movido pela família do jornalista revelou a verdade sobre a morte de Herzog. A União foi responsabilizada pelas torturas e pela morte do jornalista. Foi o primeiro processo vitorioso movido por familiares de uma vítima do regime militar contra o Estado.

Cildo Meireles utilizou as cédulas de dinheiro como uma maneira de confrontar com tudo aquilo que estava acontecendo.

 

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2. Inicie essa atividade com a música de Cazuza:

Ideologia

Cazuza

Meu partido

É um coração partido

E as ilusões

Estão todas perdidas

Os meus sonhos

Foram todos vendidos

Tão barato

Que eu nem acredito

Ah! eu nem acredito...

Que aquele garoto

Que ia mudar o mundo

Mudar o mundo

Frequenta agora

As festas do "Grand Monde"...

Meus heróis

Morreram de overdose

Meus inimigos

Estão no poder

Ideologia!

Eu quero uma pra viver

Ideologia!

Eu quero uma pra viver...

O meu prazer

Agora é risco de vida

Meu sex and drugs

Não tem nenhum rock 'n' roll

Eu vou pagar

A conta do analista

Pra nunca mais

Ter que saber

Quem eu sou

Ah! saber quem eu sou..

Pois aquele garoto

Que ia mudar o mundo

Mudar o mundo

Agora assiste a tudo

Em cima do muro

Em cima do muro...

Meus heróis

Morreram de overdose

Meus inimigos

Estão no poder

Ideologia!

Eu quero uma pra viver

Ideologia!

Pra viver...

Pois aquele garoto

Que ia mudar o mundo

Mudar o mundo

Agora assiste a tudo

Em cima do muro

Em cima do muro...

Meus heróis

Morreram de overdose

Meus inimigos

Estão no poder

Ideologia!

Eu quero uma pra viver

Ideologia!

Eu quero uma pra viver..

Ideologia!

Pra viver

Ideologia!

Eu quero uma pra viver...

2. Destaque as frases marcadas aqui e abra uma discussão a respeito da intenção de Cazuza ao compor essa letra. O que ele queria dizer com estas palavras? De que maneira suas palavras falam a respeito de cada um de nós?

3. Aborde com os alunos o conceito de ideologia. Veja sobre esse conceito em:

http://educacao.uol.com.br/sociologia/ideologia-termo-tem-varios-significados-em-ciencias-sociais.jhtm

4. Fale então que Cildo Meireles também pensou sobre tais questões em sua série Circuitos Ideológicos e que, nesse trabalho, ele fez uso de diferentes suportes.

5. Apresente primeiramente as imagens e em seguida comente com os alunos sobre a obra e o artista. De que maneira esse trabalho de Cildo Meireles pode ter influenciado nos Circuitos Ideológicos a que ele se refere, qual seja, o mundo da Coca-Cola e do dinheiro/poder?

6. Proponha que a turma faça circular algum tipo de mensagem na escola e desenvolva com eles o "como". Por exemplo: compor versos inserindo-os (em pequenas fichas) nos livros que forem emprestados naquela semana na biblioteca, convocando os alunos de outras turmas a trocarem entre si, num determinado período, mensagens por escrito. Desenvolver mensagens que possam ser anexadas às avaliações de todos os professores da escola, enfim, deixe que os alunos participem também do desenvolvimento de possibilidades.

7. Acompanhe carinhosamente o processo de criação que fluirá melhor em trio ou grupos de, no máximo, quatro alunos.