Texto base: A questão se referem ao relato do padre jesuíta André João Antonil sobre a atividade mineradora no século XVIII. A sede insaciável do ouro estimulou a tantos a deixarem suas terras, e a meterem-se por caminhos tão ásperos, como são os das minas, que dificultosamente se poderá dar conta do número das pessoas que atualmente lá estão. Contudo, os que assistiram nelas nestes últimos anos por largo tempo, e as correram todas, dizem que mais de trinta mil almas se ocupam, umas em catar, outras em mandar catar nos ribeiros do ouro; e outras em negociar, vendendo e comprando o que se há mister não só para a vida, mas para o regalo, mais que nos portos do mar. Cada ano vem das frotas quantidade de portugueses e de estrangeiros para passarem às minas. Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil, vão brancos, pardos e pretos e muitos índios de que os paulistas se servem. A mistura é de toda a condição de pessoas: homens e mulheres, moços e velhos, pobres e ricos, nobres e plebeus e seculares, clérigos, e religiosos de diversos institutos, muitos dos quais não têm no Brasil convento, nem casa. Sobre esta gente, quanto ao temporal, não houve até ao presente coação ou governo algum bem ordenado; e apenas se guardam algumas leis que pertencem às datas, e repartições dos ribeiros. No mais, não há ministros, nem justiças, que tratem, ou possam tratar do castigo dos crimes, que não são poucos, principalmente dos homicídios e furtos. ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil. Belo Horizonte: Edusp. 1982 p.91.
Enunciado:
A sede insaciável do ouro provocou