Atribui-se a Tales de Mileto, por sua grande sabedoria, uma especulação lucrativa […]. Reprovava-se a sua pobreza, dizendo-lhe que a filosofia para nada serve. Ele havia previsto, diz-se, por seus conhecimentos astronômicos, que iria haver uma grande colheita de azeitonas. Estava-se ainda no inverno. Procurou Tales o dinheiro necessário, arrendou todas as prensas de óleo de Mileto e de Quio por um preço bem módico, pelo fato de não ter concorrentes. Quando veio a colheita, as prensas foram procuradas de repente por uma multidão de interessados. Alugou-lhas então pelo preço que quis, e, realizando assim grandes lucros, mostrou que é fácil aos filósofos enriquecer quando querem, embora não seja esse o fim dos seus estudos.
(Aristóteles. A política, s/d.)
O episódio de Tales de Mileto (séculos VII e VI a.C), relatado por Aristóteles, demonstra que não é função da filosofia se preocupar com alguma forma de lucro e que o campo da reflexão filosófica