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SONETO
O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora.
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza,
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro,
E o mais ledo1 prazer em choro triste;
O tempo a tempestade em grã2 bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
1 ledo − alegre
2 grã − grande
No soneto, o poeta descreve o impacto da ação do tempo, destacando sua
capacidade de transformar algo em seu oposto.
Essa capacidade está exemplificada no seguinte verso: