[...]
No meio da minha agonia, a vizinha da frente abriu o portão e me cumprimentou de mangueira na mão. Esguichando.
– Olá, querida!
Ela largou a mangueira e voltou para dentro de casa. Arrastava os chinelos. Corri para a mangueira e enfiei o dedo. Segurei com toda a força, mas a mangueira começou a rebolar, feito uma minhoca. Meu dedo inchou. Doía. Eu aguentaria a dor! Mesmo que ele ficasse roxo. Não importava, apesar do meu esforço, jatos de água escapavam. Soltei a mangueira que voou para cima de mim feito cobra. Fiquei encharcada de uma água que não voltaria mais. A água agora escorria do meu pé, corria rua abaixo e fugia pelos bueiros. Lembrei-me então do motivo pelo qual aquele esguicho foi aberto. Era para varrer as folhinhas da calçada. Mirei o esguicho nas folhinhas que não desgrudavam. Com vassoura eles desgrudariam. [...]
Quando a vizinha voltou, disse que não era bom ficar com a camiseta molhada, pois estava esfriando e eu podia pegar uma pneumonia. [...]
ÍNDIGO. Como casar com André Martins. São Paulo. Girafinha, 2007. p.52. (Fragmento)
No final do texto, a menina estava toda molhada porque